segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mudei(-me)

Novo blog:

http://naturallmente.wordpress.com

terça-feira, 20 de maio de 2008

Everybody's Free

Ladies and Gentlemen of the class of '99...
Wear Sunscreen.
If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it. The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience… I will dispense this advice now.
Enjoy the power and beauty of your youth.
Oh nevermind; you will not understand the power and beauty of your youth until they have faded. But trust me, in 20 years you'll look back at photos of yourself and recall in a way you can't grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked….You're not as fat as you imagine.
Don't worry about the future. Or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum. The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday.
Do one thing everyday that scares you.
Sing
Don't be reckless with other people's hearts, don't put up with people who are reckless with yours.
Floss
Don't waste your time on jealousy; sometimes you're ahead, sometimes you're behind…the race is long, and in the end, it's only with yourself.
Remember the compliments you receive, forget the insults; if you succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters, throw away your old bank statements.
Stretch
Don't feel guilty if you don't know what you want to do with your life…the most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don't.
Get plenty of calcium.
Be kind to your knees, you'll miss them when they're gone.
Maybe you'll marry, maybe you won't, maybe you'll have children, maybe you won't, maybe you'll divorce at 40, maybe you'll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary…what ever you do, don't congratulate yourself too much or berate yourself either – your choices are half chance, so are everybody else's.
Enjoy your body, use it every way you can…don't be afraid of it, or what other people think of it, it's the greatest instrument you'll ever own..
Dance
even if you have nowhere to do it but in your own living room.
Read the directions, even if you don't follow them. Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly.
Get to know your parents, you never know when they'll be gone for good. Be nice to your siblings; they are the best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.
Understand that friends come and go,but with the precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle because the older you get, the more you need the people you knew when you were young.
Live in New York City once, but leave before it makes you hard; live in Northern California once, but leave before it makes you soft.
Travel.
Accept certain inalienable truths: prices will rise, politicians will philander, you too will get old, and when you do you'll fantasize that when you were young prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.
Respect your elders.
Don't expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund, maybe you have a wealthy spouse; but you never know when either one might run out.
Don't mess too much with your hair, or by the time it's 40, it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it's worth.
But trust me on the sunscreen...

sábado, 29 de março de 2008

Harém do Pantera, ou Viagem de Finalistas



Apesar da minha total falta de espirito académico, que me tem acompanhado desde o início dos meus tempos como estudante no ISPA, e que permanece mesmo diante dos meus esforços em contrário, sempre achei que a viagem de finalistas era um acontecimento imperdível, o apogeu da vida académica, marcando o ínicio do fim. Era a última oportunidade para assinalar estes anos que custaram tanto a passar mas que, de repente, estão a chegar ao final. A última oportunidade para me sentir um bocadinho ispiana, para vestir a camisola. E, felizmente, fui com algumas das pessoas que mais foram ficando.

O destino era Brasil. 3 noites em Pipa, mais 2 em Maria Farinha, mais 7 em Porto de Galinhas. Do grupo de 37 pessoas, conhecia bem apenas 4, 3 das quais com quem ficaria (supostamento) no mesmo quarto em todos os hotéis. Éramos 32 raparigas e 5 rapazes, a proporção normal no ISPA. A nós juntaram-se os grandes Pantera e Rodrigão, o guia e o fotógrafo.

14 dias a comer buffet de arroz e feijão, tantas horas no autocarro, esperas diárias intermináveis, algumas chuvadas, um megafone incansável, almoços chulados, umas quantas pessoas ridículas, muitas fofoquices... E estas foram as coisas menos boas, que levaram a tantas boas gargalhadas. O resto, foi ainda melhor!

Praias lindas em Pipa, onde eu, a Vera e a Filipa perseguimos golfinhos; danças na praia, na torreira do sol; águas quentes, onde ficávamos até ter as mãos enrugadas; passeios de buggy em paisagens inesquecíveis; noites no deck do hotel, com a Ana, a Vanessa e a Catarina; reinvidicações e exigências; todo-o-terreno, quando não era suposto; solário no telhado de um jipe; monstros de argila; muitas compras; boicotes ás excursões; tantos bikinis; uma corrida no centro comercial; banhos em cachoeiras abusadoras; Aerobundas; Preguiças; Luaus com os indígenas; Luaus dançando incansavelmente á chuva; pequenos-almoços postos á mala; um passeio assassino no Banana-Boat; jogos de Volley na praia; térérés; jogos de cartas (tantos!!); Creu, Ivete Sangalo, Bolas de Sabão, Beber, Cair e Levantar; o Bar do Miguel; o GRANDE grupo das patricinhas, que já fazem parte; conversas sobre tudo e mais alguma coisa; atrofios; risotas; private jokes; confianças; amizades; uma despedida emocionada.

Foram momentos tão bons que criaram cerca de 10000 fotos. Um grupo tão heterogéneo, onde tão poucos se conheciam, mas que se deu (quase) todo bem, que já tem um site só seu, um grupo no hi5 só seu, e que fez um jantar três semanas depois de ter chegado. De repente, aquelas pessoas que estudaram 5 anos no mesmo sítio, só ao fim destas 2 semanas deixaram de ser estranhos. Voltei com mais de uma mão cheia de pessoas que me marcaram imenso e com tantas recordações, tantos momentos, tantos atrofios, tantas descobertas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Aquela manhã



Estava sol, como em quase todas as manhãs daqueles cinco meses. Tinha deixado os estores mais abertos do que o normal e o sol iluminava o quarto já despido das minhas coisas. Seria a última vez que acordaria naquele quarto rodeado pelo fundo do mar. Sempre quis ter um quarto com o fundo do mar, não podia ter havido melhor altura. A cama já não tinha a minha colcha, a parede já não tinha as minhas fotografias, era só o mesmo quarto a que tinha chegado cinco meses antes. Já deixara de ser meu e estava quase preparado para um próximo ocupante, apenas as duas malas gigantes abertas no chão acusavam a minha presença.
Acordei minutos mais cedo do que pretendia com um telefonema que me prendeu áquela cidade durante mais umas horas, enquanto combinávamos encontrar-nos no aeroporto. Fui, pela última vez, á minha casa-de-banho e tomei o pequeno-almoço, pela última vez, na minha varanda, tão alta, tão privilegiada, enquanto olhava, pela última vez, a minha vista, tentando ser crescida. Chamei um táxi e esperei.
Cheguei ao aeroporto e fui logo fazer o check-in. As malas ultrapassavam o peso, mas como era dia dos namorados o senhor deixou passar. A Ale, a Ste, o Javi e o Mimmo chegaram. Sentámo-nos num café com assuntos triviais, com planos de encontros próximos. Eu era a primeira a deixar aquela cidade e aquelas vidas que tinhamos construído ali, aquelas amizades tão genuínas, tão simples. Falar da minha partida obrigava todos a aceitar que as suas também chegariam. Era tão fácil dizer que iamos manter contacto, que nos iamos ver tantas vezes.
A hora chegou. Em palhaçadas fomos nos carrinhos até onde eles não podiam ir mais. O nó na garganta era grande demais para deixar as lágrimas passarem, mas os nossos olhares não mentiam, estávamos tristes e só enganávamos a tristeza com sorrisos de esperança. Cada passo, enquanto me afastava, era um esforço.
O avião estava quase vazio, tão silencioso. Sentia-me adormecida, baralhada, triste. Deitei-me nos três bancos vazios e dormi. Não olhei pela janela para ver a vista de Lisboa, não queria estar ali. Nem o sol que se fazia sentir por cá ajudava. Não fazia sentido estar aqui. Não fazia sentido estar de volta a casa e sentir-me deslocada. Há poucas horas atrás estava em minha casa e agora nunca mais lá voltaria. Estava de volta, mas em pedaços.
Aos poucos fui-me reconstruindo até ficar mais completa do que antes. Mas por muito triste que seja voltar, vale sempre a pena ir.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Insónias

Ela acordou com o barulho dos actos a cair-lhe em cima. Ou era só alguém a montar qualquer coisa a horas vergonhosas da manhã e que lhe martelava a consciência. Teve medo de virar-se na cama e ser verdade, mas aquele calor que não era o seu não a deixava iludir-se.
Queria enroscar-se, pedir-lhe
- "Fica.",
imaginar que tinha outra história, outra vida. Mas estavam demasiado presentes as palavras da noite anterior
- "Podia apaixonar-me por ti..."
- "E se for só...?
- "O que é que tem?",
enquanto punha os braços á volta dela para adormecer.
Aquele à-vontade era tão incaracterístico nela, porém aquele estranho conhecia-a melhor do que ela queria admitir, e esforçava-se por sentir alguma culpa, algum remorso. Nada. Só aqueles olhos dum estranho tão familiares, tão compreensivos, porque a conhecia tão bem e sabia o que se passava dentro dela. Ou não. Olhava-a profundo demais, para cantos de si que ela ignorava, negligenciava. Confiava nele, queria contar-lhe todos os seus segredos e planos e sonhos. Sabia que nunca mais seria a mesma, não depois de alguém tão absoluto ter cruzado o seu caminho. Sentia-se privilegiada. Havia um canto do seu mundo que seria sempre daqueles momentos, daquelas emoções, daquela pessoa. Não havia um caminho de volta, estava num lugar completamente diferente. Em instantes aquela pessoa tinha-a mudado mais do que qualquer outra.
Não procurou que acontecesse. Também não evitou. Limitou-se a aceitar como inevitável, algo contra o qual não tinha armas para lutar, não tinha forças. Era maior do que ela. Sentia-se num mundo novo. Procurava em si um sinal de surpresa, de arrependimento. Forçava-se por o sentir, por ser a mesma de há tão pouco tempo atrás. Porém, sentia-se mais ela própria do que se sentiu durante anos. Sentia-se viva, multidimensional, livre. Livre.














We'll both forget the breeze.
Most of the time...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Livros

A PROFECIA CELESTINA,

James Redfield
Se o comover, se cristalizar algo que capta na vida, então transmita a outrem o que percebeu, (...) é exactamente assim que se está a desenvolver a nova maneira de ver o mundo espiritual; não já mediante qualquer alarido mediático, nem como uma moda passageira, mas sim como algo transmitido de pessoa para pessoa, através de uma espécie de contágio psicológico positivo entre os indivíduos.
A existência deste livro chegou-me precisamente assim, transmitido de pessoa para pessoa.
Não há coincidências.
Falavam dele de uma maneira especial, como se tivesse despertado dentro deles o conhecimento duma verdade, como se lhes tivesse desvendado um segredo, os tivesse iluminado, esclarecido.
E foi numa altura em que me dedicava particularmente ao meu lado espiritual que o comecei a ler, em que ansiava por algo mais do que isto. Isto, o dia-a-dia, a vida corrente, os gestos habituais, os encontros fugidios, as importâncias efémeras.
Não há coincidências.
A nota do autor falou-me directamente, falou-me de coisas que eu já pensava, que eu já sentia. Cada vez mais pessoas me falam de acasos nas suas vidas, de pessoas que conhecem e é como se sempre tivesssem estado presentes, de pressentimentos que se tornam realidade, de encontrar aquela pessoa que não vêem há anos mas em quem têm pensado ultimamente.
Não há coincidências.
Não é um livro espiritual, é um romance. Mas também despertou em mim qualquer coisa.
Não há coincidências.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Porque para mim foi muito importante: hoje fui, pela primeira vez, de metro até Santa Apolónia! Uma travessia que me (e a todos mais) era prometida desde aqueles primeiros tempos como estudante no ISPA finalmente aconteceu, a menos de 6 meses de acabar o curso (cruzar-os-dedos!!).
Sim, foi estranho parar nos Restauradores e não sair para estar (quantas vezes...) 20 minutos ao frio e á chuva, esperando o autocarro que, quando finalmente chega, vem sempre com meia-dúzia atrás. Foi estranho passar na Baixa-Chiado e não ouvir "última paragem". Foi estranho ver estações de metro desconhecidas quando ando de metro há mais de 10 anos. Estranho, mas bom. Foi bom subir as escadas para encontrar tantos comboios, tantas viagens, tantos destinos, tantas oportunidades. Foi bom chegar áquela estação que já testemunhou tantas partidas e chegadas minhas. E, principalmente, foi bom chegar á universidade em 20 minutos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Novo,

dentro do velho. Porque não gosto de cortar com o passado. Novo ano, nova imagem, novas ideias, novos textos, novos planos, projectos. Mas tudo continuação do que está para trás.
Passagem de ano atípica, mas perfeita, passada naquele sítio, o melhor sítio do mundo. Só uns braços. Os braços. E tudo o que eu podia querer. Sem badaladas, nem passas, nem desejos, porque ao meu lado está(va) tudo o que preciso. Mas cheia de sonhos, sorrisos e expectativa. Sempre com vontade de mais, de evoluir, continuar, conhecer, descobrir.
De resoluções só não desistir, conhecer-me, melhorar-me, esforçar-me, sonhar e viajar!!
Feliz 2008 a todos!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Lisboa desconhecida

Passear por Lisboa e não ver prédios, nem carros, nem pessoas. Pelo menos a uma distância superior a 10 metros. Passear por uma Lisboa diferente, de noite, com nevoeiro. Com luzes diferentes, sombras diferentes, e lembrar-me do que esta cidade é para mim. Já não me deslumbrava com Ela há tanto tempo. Já não me surpreendia há tanto tempo. Habituei-me a Ela, aos seus prédios, seus carros, suas estradas. Mas de noite, com nevoeiro, foi uma Lisboa diferente.
Passar pelo Rossio e parecer uma praça deserta, habitada unicamente por aquelas esculturas iluminadas por uma luz que corta a neblina. Aquelas esculturas que vi quase há um ano atrás na outra ponta da Península Ibérica, agora estão aqui e tornam-se Lisboa. São tudo o que o nevoeiro permite ver. E o que é Lisboa, deixa de o ser, o Rossio não é o Rossio, é só um sítio por onde passei nesta noite sem lugares conhecidos. São só as estátuas que me fizeram recordar outra cidade, outro mundo, outro tempo.
Chegar aos Restauradores com uma luz cor-de-laranja, uma mistura do amarelo dos candeeiros de rua e das luzes vermelhas dos carros, que permite ver apenas os edifícios imponentes. E subir a Av. da Liverdade rodeada por árvores despidas, num cenário tirado dum filme de terror antigo. No cimo, um Marquês que não sei se lá está ou se decidiu ir passear por esta cidade desconhecida.
Imaginar que tudo mudou, percorrer as mesmas ruas de sempre, mas com a dúvida de que se mantêm onde estavam nessa manhã ou se o nevoeiro deixou que as ruas mudassem de lugar, brincassem ás escondidas com os condutores, fossem namorar para outras colinas. Não saber se no local da Praça de Espanha não está a Praça de Londres, ou qualquer outra cidade ou país. Lisboa envergonhou-se, escondeu as suas vergonhas e só deixou aparecer a sua luz.

terça-feira, 27 de novembro de 2007










Paris, com as loucas...






Dementes, completamente passadas, as maiores mitras! Eu e a Flores, claro. Nada dessas meninas de Gisela Gomes e Cátia Marques, as vergonhas de Massamá e Cacém. Bilhetes comprados há mais de dois meses, numa altura em que não sabíamos se teríamos exames, testes, estágio. Á medida que o dia se aproximava eu não sabia se podia, a Nani não sabia se podia, o Ricardo não sabia se podia. Eu acabei por poder, no lugar da Nani foi a Cátia e fomos sem um homem que pusesse freio neste mulherio todo.

Et voilá, Paris.

Greve de transportes, apanhámos um táxi com o chinoca mais castiço até á Cité Universitaire, residência portuguesa André de Gouveia (quem?), o edifício mais chunga entre mansões e obras de arquitectura. Entrámos por ali como se fossemos da casa, fomos logo topadas pelo Zé Maria
-"amigas da Carolina!!!"
e subimos para fazer a surpresa, que não resultou tão bem porque íamos no início do corredor e já a Carolina saia porta fora, segura que aquele chinfrim só podia partir de nós. Pousámos as malas, almoçámos um belo dum esparguete á bolonhesa e partimos para o Arco do Triunfo por les Champs Elysées (onde comemos um pain au chocolat e não parávamos de cantar:
- "Oh Champs Elysées, oh champs Elysées)
e para o Musée du Louvre, espreitar a Mona Lisa (ou Mini Lisa.... oh! a desilusão) e a Vénus de Milo. Jantámos em casa, numa cozinha cheia de gente, animação e vinho. Fomos arranjar-nos para o quarto (com o vinho atrás) e sair para a Favela Chic (não recomendo as Pinas Coladas! De todo!!), onde passámos a noite com o Lula. Muita dança, muito flash (que, veio-se a revelar, não era para nós).
Alvorada no dia seguinte tarde e a más horas, com líquido do pecado a correr ainda no corpo de algumas. Tomámos o pequeno-almoço, atacámos o Nestum Mel encomendado especialmente (Ups! Grande ideia!!), e ála para a "Feira das Pulgas", ou nossa Feira da Ladra, mas em Paris mais cara do que a Luis Vitton cá, passo o exagero. Mas comprei um belo chapéu cor-de-rosa, très parisien.









Sim, é o meu chapéu novo. Única compra parisiene. Ladrões!! Chupistas!!!

(Somos tão lindas!!!!)



Depois do maior fiasco do fim-de-semana, o melhor: a Notre-Damme, vista e visitada de noite, com frio, agasalhadas, lua cheia acompanhada por algumas nuvens, o ambiente perfeito para aquele cenário lindo. E aquele segredo de Paris, a livraria Shakespeare & Co, pequenina, velha, modesta, única. Com camas entre os livros, com cheiro a velho, a pessoas, a histórias. É difícil acreditar que sobreviveu aos nossos dias, ao consumismo desmedido, á produção em massa, ás grandes superficies, ao facilitismo, á padronização. Um sítio mágico.
Decidimos jantar em casa, deixar o jantar fora para a última noite e passámos pelo supermercado para fazer as compras. Mas o Zé Maria e o João insistiram que fossemos jantar fora a um restaurante de fondue que conheciam e mesmo sabendo que não íamos ser atendidos, lá fomos. Claro que não fomos atendidos. Mas em frente estava um italiano mínimo e vazio e acabou por ser o sítio perfeito para jantarmos umas belas Gynas quentinhas, acompanhadas de shots de água. Passeámos perto do Moulin Rouge, tirámos fotos catitas e fomos para casa dormir, recuperar.
Acordámos cedinho, tomámos o pequeno-almoço e saímos para a Notre-Damme, ponto de partida do percurso. Passeámos ao lado do Sena (que cidade maravilhosa.... que ambiente romântico), passeámos, apenas. E foi óptimo. Almoçámos umas baguettes de partir dentes ao lado do panteão e depois passeámos mais um bocadinho, nos jardins do Luxemburgo. Daí, a pé até á Torre Eiffel, que subimos de escadas até ao 2º andar. Foi o ponto alto da viagem, para mim. A única coisa em Paris que ainda não tinha feito. Vale a pena! Principalmente num fim-de-tarde lindo e início de noite. Paris, a Cidade Luz.
Jantámos na residência e acabámos o serão e o fim-de-semana com o filme
Paris, Je t'aime.








segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Clichés


As coisas acontecem quando menos se espera,

e, ás vezes, a inspiração vem de repente. Vem de uma conversa tranquila de 2ª feira de manhã em que só se trocam novidades de fim-de-semana. Mas apercebemo-nos que não são só novidades de fim-de-semana, mas uma maneira diferente de ver a vida. E, embora seja um cliché que até uso muitas vezes, nunca lhe tinha dado tanto valor. Era só um chavão para terminar uma frase ou uma desculpa usada quando algo não teve o resultado esperado. Mas,

as coisas acontecem (mesmo) quando menos se espera, quando não as procuramos, não nos preparamos. Não temos tempo para criar defesas, para
- ("E se.."),
porque vêm do desconhecido e envolvem-nos completamente, levando-nos para um lugar novo, um lugar-incomum, longe das banalidades a que estamos habituados, dos argumentos empregues que nos convencem que

- "está tudo bem",

- "é mesmo assim",
dos truques, artimanhas, planos usados frequentemente para dar a volta a uma situação que não controlamos.
A minha envolvente mudou e os "Déja-vus" tornaram-se "Clichés". Já não estou só do lado de fora a ver as mesmas cenas repetirem-se uma vez atrás da outra, já não sou uma mera observadora. Sou um cliché, mas um bom cliché. Não daqueles vazios e sem sentido. E vejo mais clichés felizes da vida e apaixonados á minha volta, daqueles clichés que se sentem deslumbrados pelo inesperado. Porque (e como a Anatomia de Grey uma vez disse) é o inesperado que muda a nossa vida, que dá a volta ao nosso mundo.
Não é suposto ter que lutar por certas coisas, não é suposto ter que conquistar, ter que criar estratégias, demorar X tempo a responder a uma mensagem, ou responder um ausente

- "Pode ser.."

a um convite, quando só apetece gritar
- "SIM!"
É suposto ser natural, genuíno e tomar-nos plenamente, deitando por terra as defesas de outrora. Simplesmente, acontece. E depois do remoinho de emoções, de virar a nossa vida de pernas para o ar, paramos e pensamos
- "É mesmo isto!".




segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Resumindo e começando...

Entre triagem curricular, marcação de entrevistas, actualização da base de dados, impressão de cartas, arquivos, tento actualizar os últimos tempos. Lá fora, ao fundo, vejo o recorte da costa, vejo um céu pouco nublado e um sol que ainda pede praia. Mas o meu verão já acabou há quase um mês.
Faz hoje 4 semanas que comecei a estagiar. Parece menos. As 9 horas diárias aqui passadas todos os dias não custam a fazer e não é com esforço que saio da cama. Curiosamente, é também sem esforço que, 3 vezes por semana, saio daqui para ainda ter aulas, quando em anos passados acordar para ir para o ISPA era um sacrificio que muitas vezes aceitava não fazer.
Contemplo as recentes mudanças e gosto. Gosto de estar a trabalhar, de me sentir capaz, útil, de sentir que estão a apostar em mim (ainda que o trabalho seja pouco interessante). Gosto que seja temporário, que daqui a dois meses acabe e me esteja a ajudar a compreender o que não quero fazer para o resto da vida. Gosto de me sentir motivada por mim mesma, sem recompensas exteriores, apenas pessoais que tento aproveitar e encarar da melhor maneira.
Gosto de chegar ás aulas e ainda ter energia. De participar, querer dar o meu melhor e, acima de tudo, gosto que seja o último ano. Não que não tenha sido bom, que não goste do meu curso, da minha universidade, mas anseio por outros mundos, outras descobertas. Vejo tantas oportunidades, tantos sítios, que sinto-me limitada, aqui, constangida. Não sei o que o futuro me reserva, que voltas hei-de dar á vida e ela a mim, e isso não me assusta (o tempo todo..). Não me sinto a acabar o curso, mas a começar algo novo. E gosto.
P.S. - Apaixonei-me.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Freedom

Quem diria que um dia iria estar a reportar uma experiência de vida ao som de música trance, mas a escrita deste texto não podia ter outra banda sonora. Instantaneamente sinto os pêlos a arrepiar, borboletas lindas e fluorescentes a levantar voo dentro do meu estômago e a percorrer-me o corpo todo, os braços a moverem com despreocupação, o peito a palpitar, os pés a quererem sair do chão com destino para parte incerta, a cabeça a esvaziar, a focar-se no essencial.
Cedi á "chantagem emocional" do Javier e aceitei (bastante apreensiva) ir ao Freedom - festival de trance que se realiza em Portugal de dois em dois anos. Dia 15 de Agosto parti de Lisboa ás 14h com a Teresa e o Javi, com o carro cheio de comida, tendas e todas as coisas indispensáveis para acampar num festival. O destino: Elvas. Por volta das 17h chegámos e fechámos alguns dos espaços ainda abertos dum acampamento montado no dia anterior por quem nos antecedeu.
A música, que devia ter começado ás 20h, só começou muito mais tarde e os três novatos limitaram-se, nessa noite, a passear até á pista, onde as luzes negras e as faixas de luz verde libertavam cores fluorescentes. Dormiu-se cedo, exigência de acordar no dia seguinte ás 6:30h, eu preparada para perceber como iam ser os meus próximos dias: passados á beira de água a torrar, ou a dançar até não aguentar mais. Conclusão: "Bora p'á pista!!!!!!".
O programa foi todos os dias, basicamente, o mesmo. Acordava-se cedo para sair da tenda adivinhando a frescura e humidade matinal (ás vezes quase madrugal) e tomar um pequeno-almoço modesto. Á chegada da pista, sempre carregados com um garrafão e um borrifador, a primeira coisa era tirar os chinelos e sentir a terra, ainda gelada, debaixo dos pés. Uma enchente de energia percorria-me imediatamente, de proximidade com uma parte de mim ainda desconhecida mas que se foi tornando mais presente ao longo dos dias. Um Eu mais em contacto com a natureza, com a Terra. As manhãs eram passadas a dançar, com um ou outro mergulho ocasional e vários duches para refrescar do calor que se impunha á medida que o sol ficava mais alto e as cores mais claras e nítidas.
Passadas largas horas, que não se faziam notar, e, com algum esforço, abandonava a pista temporariamente para ir comer qualquer coisa, sentindo, a cada dia que passava, uma sensação de que me alimentava apenas de música e da força que sentia ao dançar e na presença de todas aquelas pessoas. Olhava para o lado e via centenas de pessoas a dançar e a sorrir, a aproveitar a música, a convivência, sentindo uma corrente de energia, como se estivéssemos todos ligados, a dar e a receber boas vibrações. Depois do almoço, voltava para a música, até começarmos a abandonar a pista aos poucos, ao final da tarde. Tomava um banho gelado, jantávamos e íamos para a tenda, dormir quase com as galinhas, preparar-nos para mais um dia.
Vi coisas que nunca tinha visto. Coisas que estavam enquadradas naquele contexto e, por isso, não me chocaram apesar da sua violência, que me pareceram naturais. Aceitei-as sem julgamentos, sem moralismos. Apercebi-me que existe quem escolha um percurso de vida completamente diferente daquele que, eu prevejo, seja o meu, quem viva numa realidade que não toca levemente na minha, porém tem gostos, desgostos, prazeres, desprazeres, amizades, amores, sentimentos, emoções, como eu. Gosto da variedade. Gosto de saber que o mundo é composto por entidades tão distintas, opostas, únicas, contudo conseguimos sempre encontrar um qualquer ponto de encontro, se estivermos dispostos a procurá-lo, se estivermos abertos a esta diversidade e a encararmos como algo positivo, algo com o qual podemos aprender um pouco mais sobre os outros e sobre nós mesmos.
Fiz coisas que nunca tinha feito. Coisas que também tiveram o seu contexto e das quais não me arrependo por saber que as aproveitei para me conhecer um pouco mais, para fortificar certezas ou abalar falácias. Essencialmente, tiveram a companhia certa: um grupo com o qual tenho visto tanto de coisas novas, que é tão diferente dos meus grupos de amigos e (talvez nem tanto) de mim, onde são todos tão diferentes, cada um com o seu sorriso, com o seu olhar, com a sua gargalhada, a sua maneira de ser. Uns mais reservados, mais distantes, outros mais dados, mais próximos, mas todos me fizeram sentir bem-vinda.
Foi a experiência mais importante daquele que já considero o melhor Verão de sempre. Posso afirmar, sem reservas: apaixonei-me pelo trance.

sábado, 15 de setembro de 2007

Um

Faz hoje um ano, que fui para Barcelona fazer Erasmus. Gradualmente, perco motivos para escrever sobre isto. Aos poucos voltei á minha vida, que já não é a mesma e nunca mais será. Fui apanhando fragmentos de mim e reconstruí-me. O núcleo é o mesmo, eu sou a mesma, só mais completa, mais Eu.
Olho para fotografias minhas do Antes e Depois e vejo os traços desta experiência marcados na minha expressão: as novas amizades com pessoas tão diferentes, a coragem de ter arriscado, o orgulho de ter conseguido, ter feito parte de uma "família" com a qual aprendi e cresci, as gargalhadas, o rasto subtil das poucas lágrimas, a agitação de emoções que me acompanhou, o que perdi que nunca mais terei, os pequenos passos e os saltos gigantes, o conhecimento que ganhei sobre mim, sobre o que quero, o que penso, o que sinto.
Olho para o meu Antes e uma parte de mim sorri a chorar:
- Perdi a inocência.
Já não acredito ingenuamente e
- porque sim!,
em certas coisas. Mas acredito. Acredito activamente, acredito com tudo o que sou. Agora dou toda de mim, não vivo por metades, por receios, por defesas. Perdi alguns pilares, deitei-os abaixo e reconstruí-os á minha maneira. O tempo (ou a passagem dele) já não me assusta porque sei que este é meu para fazer dele o que quiser. Para ter ideias, fazer planos, propôr-me objectivos, para conquistar, para falhar. Ao menos tentei. São as minhas falhas, os meus bocadinhos.
Olho para o meu Depois e rio:
- Perdi a inocência, mas ganhei(-me) tanto!

sábado, 4 de agosto de 2007

Destino: Barcelona

Bitter-sweet emotions de um regresso a uma casa vazia, que guarda tantas boas recordações mas que sinto como fria. A mesma luz da última vez que andei neste comboio, um caminho que percorri tantas vezes, sozinha, acompanhada, agora vejo-o tão diferente, como se já não fosse o mesmo, aquele que conto ter feito pelo menos 14 vezes, levando ou apanhando visitas tão especiais.

Depois de largar as malas em casa do Javi, o 1º destino é Parc Guell, mas um Parc Guell que eu nunca tinha conhecido, por caminhos no meio do mato, longe dos turistas. Daí voltamos para casa, onde a Ana e o Fábio já nos esperavam. Já não têm conta as vezes que estive com o Javier, a Ana ou o Fábio em Barcelona, mas esta não se assemelhou com nenhuma. Eles são os resistentes, os que ficaram a guardar a casa, a esperar-nos de braços abertos. Não é Erasmus, agora sou uma visita.

O dia passado juntas, só as duas, em PortAventura ajudou-nos a esquecer onde estávamos, a esquecer tudo o que já aconteceu nesta cidade, a esquecer que estamos longe de todas as pessoas que a marcaram, que a fizeram. A sintonia entre as duas sente-se sempre: nos receios de vir a Barcelona, nos nós no estômago, nas recordações, nos momentos de cansaço, de "me aburro...", de "puta da loucura", de momentos kodak, de gargalhadas, e, against all odds, tivemos um super dia, passado em montanhas russas, em loopings, em Dragon Khans, em filas ao sol para descer 100m em 3s, em que a minha única reacção foi um tímido "foda-se" antes da descida.
De volta a Barcelona, o mesmo aperto, a mesma busca do sentido de estar de volta aqui. Mas nada que um jogo do "Eu nunca" com o Javier e a Teresa não resolva. Á porta de casa, um sofá abandonado que levamos para perto da paragem e no qual nos sentamos como VIP's á espera do autocarro que, claro, perdemos porque estávamos entretidos a sacar fotos. Apanhamos um taxi, juntamente com um alemão que também esperava o NitBus e que teve a viagem de taxi da vida dele! Li pânico nos seus olhos enquanto perguntava ao taxista quanto tempo faltava até à Plaça Catalunya. Encontramo-nos com o Fábio e a Ana á porta do Hard Rock e estamos prontos para sair, como saimos sempre em Barcelona: caminhar pelas Ramblas sem destino. "Pasa nada!"
No dia seguinte almoçamos com a Ana e o Javier, seguimos para as Ramblas já sem a Ana e daí para casa. Dança-se como loucas, canta-se, salta-se, joga-se futebol, tiram-se fotografias, fazem-se os filmes mais crazy, somos crianças. Sem preocupações. Saímos. Nas Ramblas, já com o Fábio, encontramos uma cadeira de rodas partida para a qual eu e o Javier prontamente subimos, cada um sentado num braço, até sermos perseguidos pela polícia. Despedimo-nos do Fábio, apanhamos o NitBus para casa...no sentido errado. Meia-hora depois apercebemo-nos disso, saímos do autocarro prontos para andar até casa. Na rua encontramos um carrinho de bebé estragado. Eu e a Teresa, empurradas á vez pelo Javi, fomos descendo uma rua enorme e inclinada, largando o carrinho ainda em pior estado. É incrível o que se encontra pelas ruas de Barcelona...até folhas de cortiça, que o Javier procurava há duas semanas em cada loja, ali estavam, deixadas nos chão, á nossa espera.



Barcelona continua a ser uma caixinha de surpresas, continua a surpreender-me. Reapaixonei-me por esta cidade que sempre me faz conhecer um bocadinho mais de mim, onde sempre faço coisas novas, onde exploro os meus limites. E que não seria nada sem as pessoas que a fazem de cada vez, que são quem cria os meus momentos..
Até breve, Barcelona.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Destino: Itália

Quando nao há palavras para descrever um sentimento, quando uma imagem vale mesmo mais do que mil palavras, ou frases, ou livros. Só temos aquelas pequenas expressoes tao espontâneas que marcam os momentos, que sao repetidas uma e outra vez e perdem o sentido quando ditas noutro contexto ou pela boca de outra pessoa. Seja um "quaaaaaanto manca?", um "Alfreeeeedo", um "per faviore".. Isso e as quase 1000 fotografias!!
Mais do que um país, mais do que todas as cidades que visitámos - Rimini, Ferrara, Veneza, Verona, Bréscia, Milao, Sirmione - foram sobretudo momentos, olhares, confidências trocadas, gargalhadas, músicas, filmes, noites, dias vividos intensamente. Mesmo quando o cansaÇo era muito, estávamos sempre de sorriso na cara, de gargalhada pronta.
Nao fomos turistas, nao eramos portuguesas, nem italianas, eramos cidadas do mundo, com vontade de ver tudo, de conhecer mais. Conhecemos imensas pessoas, fizemos imensos amigos - "Alfreeeeeeedo!!!" -, aprofundámos amizades.


Faltam-me as palavras:




















YEEEEAAAAH!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

21 de Julho de 2007









Um McDonald's de despedida no aeroporto, felizes da vida!

15h:
De volta aos comboios de Itàlia, os melhores para dormir. Finalmente estamos aqui, depois de tantos meses a sonhar!! Os exames que ambas tivemos ontem impediram-nos de pensar demasiado na viagem, mas foi sò nos vermos de malas às costas para um sorriso enorme nos preencher. Compram-se duas garrafas de Amendoa Amarga no aeroporto para oferta e reafirma-se o ideal da viagem: a aventura, a loucura, a espontaneidade.
A boa disposiçao e a alegria sao notòrias a cada momento: a apreciar os "chicos" no aeroporto, inclusivé os sòcias, a dar deboche nas freiras, a ter conversas para maiores de 18 no aviao que levam ao maior ataque de riso, a sacar fotos parvas, a cantar Quim Barreiros.
A nossa espera do lado de cà estava a Ste. Que bom voltar a ve-la! Levou-nos até Brescia, onde nos ofereceu o quarto do irmao para dormirmos. A vontade de fiesta era muita, de mandar as garrafas abaixo, mas a realidade de termos entrado de férias hà tao pouco tempo levou-nos a melhor, e, depois de uma sessao de fotos pijama-party, dormimos um super sono.
E agora vamos a caminho de Ferrara, para encontrar a Ale.

17:50h
Voltei a ser gente rude do comboio. Jà tinha saudades desta sensaçao de liberdade total, de ter uma mochila às costas com tudo o que preciso para ser feliz: musica, um bom livro, chanatos para andar e conhecer muito, bikinis para a praia, boa companhia, maquina fotografica para mometos kodak e, claro, um caderno!

sexta-feira, 20 de julho de 2007


Poema que me foi enviado pela Ale, companheira de Erasmus, numa homenagem a todos os que fizeram parte desta experiência. Transcrevo em castelhano por ter sido a língua em que partilhei tantos momentos, tantas experiências, tantos pensamentos, tantos sentimentos, ou simplesmente conversas banais, triviais, indispensáveis.
Para todos os que já fizeram Erasmus, para os que estão a fazer, para os que ainda vão fazer. E para todos os outros também.


¿QUIÉN MUERE?

Muere lentamente quien se transforma en esclavo del hábito,
repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca, no arriesga vestir un color nuevo
y no le habla a quien no conoce.

Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente quien evita una pasión,
quien prefiere el negro sobre blanco
y los puntos sobre las "íes" a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos,
corazones a los tropiezos y sentimientos.

Muere lentamente quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo,
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño,
quien no se permite por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente quien no viaja,
quien no lee, quien no oye música,
quien no encuentra gracia en si mismo.
Muere lentamente quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente, quien pasa los días quejándose de su
mala suerte o de la lluvia incesante.

Muere lentamente, quien abandona un proyecto antes de iniciarlo,
no pregunta de un asunto que desconoce
o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas,
recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo
mucho mayor que el simple hecho de respirar.

Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.


(Pablo Neruda)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ericeira

Fomos pela primeira vez há mais de 8 anos, já nem sei precisar bem quando. Éramos quatro. Fomos à praia, andámos de bicicleta, eu e a Carolina corremos na praia para nos aquecermos, enquanto o João e o Chico (que nestes dias tinha que ser Francisco) estavam dentro de água a fazer body-board, fizemos totós ao João, rimos muito, conversámos muito, fizemos as parvoeiras de miúdos.
Passado tanto tempo, voltámos. Desta vez, já mais acompanhados pelos mesmos amigos de antes. Desta vez, já fomos sozinhos, sem precisar da supervisão de pais (se bem que...), já levámos os nossos carros, pagámos as nossas despesas. Desta vez, já fizemos nós o jantar sem o perigo de crianças a mexer no lume. Já fizemos coisas de adultos, como jogar poker a dinheiro ou beber vinho ou falar da faculdade ou fazer piadas de cariz sexual. Mas o ambiente entre amigos continua o mesmo: as gargalhadas de sempre, a confiança de sempre, as brincadeiras de sempre, as boas recordações de tempos idos, as parvoeiras de miúdos que escolhemos continuar a ser.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Tardes de estudo, II

E se for um faz de conta? Uma daquelas histórias escritas por um compositor que dão origem a uma canção com que tantas pessoas se identificam mas que o autor nunca viveu? Ou a fantasia daquele encontro que imaginamos vezes sem conta, planeamos ao pormenor, e quando acontece é totalmente espontâneo? Ou aquela sensação de déja-vu, já vi isto noutra vida, como se o destino nos quisesse dizer algo mas que não passa de um fenómeno físico? E se for só isso?

O cenário não é importante. Ou talvez seja, de certeza que é, mas não tanto quanto se poderia supor. Foi só mais uma desculpa.
Acordou diferente, como se a sua vida tivesse mudado, como se todo o mundo tivesse mudado, só por aquele sonho que lhe dizia
- Conheceste alguém especial, ontem á noite,
alguém em quem quase não tinha reparado, com quem nem teria falado se não estivesse frio.
Não associou. Seguiu a sua vida, ignorando o que lhe era dito. Passaram-se dias, meses, anos, naquela semana. Quando se voltaram a ver nem se apercebeu que foi com ele que sonhara, pouco se lembrava daquela cara, daquela voz. Com o soltar da noite deixou-se conquistar por aquele sorriso lindo e sincero, por aquela mão grande e forte estendida que a salvava de uma vida de enganos, que, lentamente, a puxava para a superfície.
Despediram-se como quem se conhece há anos.

Ele olhou para ela com aqueles olhos que a fazem viajar, com aquele olhar que lhe entra na alma e derruba qualquer defesa, qualquer barreira, que a faria rir á gargalhada ou chorar profundamente se se permitisse, se por uma vez se deixasse ir. Sente que ele a conhece como nunca ninguém a conheceu, que a vê como nunca ninguém a viu.
Fez uma trança no cabelo, como se quisesse pentear para fora de si aqueles pensamentos, mas um
- Linda,
completamente espontâneo, completamente imprevisível, deixou que lhe escapasse pelos olhos tudo o que não queria que ele lesse, não percebendo que ele já tinha lido, ele já sabia muito antes de ela saber.
Despediram-se como quem anseia pelo reencontro.

Decidiu ignorar, afastar-se, ficar longe dele, não se aproximar (eu sei, estou a repetir-me). Mas inconscientemente, despropositadamente, inocentemente, incontrolavelmente, já caminhavam lado a lado, afastados de todos. Ele tocava-lhe só com o respirar e nunca ninguém a tocara assim. Olhavam para o mundo de sorrisos abertos como se tudo o que interessasse naquele momento não fosse encontrado apenas um no outro. Tentavam disfarçar, mais ela que ele. Mexia no cabelo, tentava ocupar as mãos só para, por segundos, se concentrar em mais qualquer coisa que não nele, que não naquele momento. Um momento pelo qual ás vezes se espera uma vida, ali estava, maior do que ela. Não ouvia nada a não ser o coração bater e a respiração dele ali tão próxima. Por vezes tocavam-se, num sem-querer propositado, os braços roçavam, o cabelo dela batia-lhe no ombro. De costas para ele podia sentir, mais forte do que qualquer toque, o olhar dele a percorrer-lhe o corpo, as mãos a contorná-lo afastadas um palmo. Finalmente, um dedo desliza pelo braço dela, ela finge não sentir mas o arrepio que a percorre denuncia-a.
Despediram-se como quem não se quer separar.

Ele procurou os olhos dela quando a ouviu chegar. Ela olha-o como quem já tem toda a certeza num infinito de dúvidas. As mãos tocam-se quando escusado, os corpos aproximam-se mais do que o essencial, os olhares tímidos que trocam falam com toda a frontalidade, já sem o pudor que os lábios insistem em manter. Num repente que demora eternidades o mundo são eles. Não há tempo, nem espaço, nem nada. Escondem-se na liberdade que sentem, procuram-se no que encontraram, encontram-se no que procuravam mesmo sem o procurar. Ele leva-a a sítios que ela ignorava existirem, alguns dentro dela. Fá-la conhecer-se, encontrar-se, assustar-se com esta falta de controlo que nunca tinha sentido antes. Coisas pequenas ganham um significado imenso: o toque dum pé debaixo da mesa, um dar de mãos atrás das costas, escondido, um abraço inesperado, um beijo inesquecível, um convite, uma noite.
Despediram-se.