sábado, 19 de maio de 2007

"Oh, the simple pleasures in life.."

18-Maio-2007, um DAQUELES dias


Praia

Cliché. "Ôpaaaah...a praia é tsãum boua, é que é mesmo bom ir a praia!! Eu adoro, adoro, adoro!Peixinho dos olhinhos esbugalhados.... "(private joke!!)
Recomeçar.


Praia

Aulas, trabalhos, estudo, testes... Pequena troca de mensagens em crise e uma ida á praia para o dia seguinte. A companhia de sempre arranja o seu espacinho (complicado, numa praia atulhada) entre caras conhecidas de outros tempos e caras novas dos tempos futuros.
Aquele mergulho que limpa a alma e tira o peso do dia-a-dia, particularmente daquela conversa sinistra que arruinou os beneficios da noite passada. Horas ao sol a absorver toda a energia possível e sem uma única má vibração no corpo. Enterrar os pés na areia, deixar os pensamentos viajar para longe.


Amigos

A troca das novidades e aquelas gargalhadas!!!! As de sempre, childhood bestfriends.
Apercebermo-nos de que tanto mudou, vislumbrar (literalmente) diferentes fases das nossas vidas e ver que há coisas que nunca mudarão: nós. Olhamo-nos nos olhos e vemos o familiar.


Comida

A do Verão. Ameijoas á bulhão pato, pão torrado para afundar no molho, tremoços e imperiais fresquinhas ao fim da tarde.


Momentos

O beijinho no carro de trás ao som de "não sou o único a olhar o céu". Eu e a condutora irmos apreciar os estragos (nulos) enquanto a dona do próprio carro nem se mexe. E aquelas gargalhadas.....

"Three little birds" e a mão fora do carro a dançar com o vento. A vista de Lisboa enquanto atravessamos a ponte ao som dum pôr-do-sol.




Só me falta o George Clooney, numa praia deserta, com uma caixa de Martini.






quarta-feira, 2 de maio de 2007

Déja-vus


Sinto-me a Carrie, do Sexo e a Cidade. Isto porque estou "a trabalhar" (entre outras coisas) no meu portátil, na biblioteca do ISPA, virada para a janela com vista para o rio e a pensar em relações. Muito déja-vu... Estava aqui toda inspirada, mas alguém resolveu mexer na ficha e desligar o meu computador, que é tão rápido e eficiente que levou 15 minutos a reanimar, e eu sou tão rápida e eficiente que me esqueci de tudo o que ia escrever.
Estava em animada conversa com a Vanessa, via virtual, e a chegar a algumas das minhas brilhantes teorias ("As Teorias das Júlios e das Marias", publicação está para breve). Isto porque é muito mais fácil analisar quando estamos de fora, quando não somos mais do que a ouvinte das crises, ainda que sempre espantada com as vicissitudes das ligações entre as pessoas, com os encontros, desencontros, reencontros. Interessada pela complexidade das relações que vejo acontecer ao pé de mim. Vejo as relações á distância (física), das quais há tanto para dizer que mais vale não dizer nada..até porque não sou propriamente um Ás neste departamento, ainda que tenha aprendido uma coisinha ou outra e desenvolvido uma data de teorias. Ainda assim são mais fáceis do que aquelas em que as pessoas estão lado a lado, tão perto, mas têm um mundo entre elas. Olham-se mas não se vêem, falam-se mas não se ouvem, a distância é muito maior e não hã avião para a encurtar. Vejo as segundas tentativas, as terceiras, as quartas, as já perdi o número até que simplesmente gastámos as palavras e vejo os pedidos de desculpa interesseiros que chegam sete anos depois (what goes around, comes around), mas que ainda assim ajudam um bocadinho o ego. Vejo e identifico-me com histórias que de tão diferentes se tornam iguais: outros actores, outros cenários, outros momentos, mas o mesmo sentimento de finalidade, de egoísmo, de busca pela liberdade, pelo crescimento, pelo descobrimento, pelo friozinho na barriga, pela novidade.
O que é que se passa com esta Primavera?! Com os campos em flor, as abelhas e as borboletas, os passeios românticos, os novos amores, as paixões, os olhares comilões, os sorrisos marotos... Pessoal, vamos lá a animar!! Ainda temos mais de um mês até ao Verão para aproveitar a época das alergias, do pólen voador, dos narizes atacados. Um "BOA SORTE" para todos!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Frases Fáceis

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga.

domingo, 8 de abril de 2007

Menina


Agora que sei que vocês vêm, de vez em quando, aqui dar uma vista de olhos, a pressão para retratar fielmente esta semana é maior.
Em quatro dias pude matar saudades de algum do melhor de Barcelona: os amigos, os passeios, as gargalhadas, os jantares, as batatas quentes, as bebedeiras, o castelhano arranhado.
Cheguei timidamente, com medo de me sentir meio intrusa, meio deslocada, mas o abraço do Javier que me levantou os pés do chão levou-me de volta a Erasmus. Troca-se um jantar japonês em Lisboa por um mexicano caseiro em Cascais feito pelo Ricardo e, com borboletas na barriga e um sorriso na cara, fica-se a par das novidades do último mês e meio (e parece muito mais...), com direito ao jogo da confiança com um trago de Jose Cuervo, e a testemunhos sobre pirilaus empinados.®
No dia seguinte, a boleia da Mariana levou-me quase como turista deslumbrada, emigrante esquecida, pelo Portugal dos pequeninos. Á má fila tornamos-lhes impossível não se apaixonarem pelo cantinho a beira-mar plantado. A ida á praia, e o passeio pelo Cabo da Roca (onde o Stefano quis ser o primeiro homem a cair no ponto mais ocidental do Continente europeu) e por Sintra conquistaram-nos facilmente. Até quiseram lá voltar no dia seguinte, antes de um curto passeio por Belém e um óptimo jantar em casa dos pais do Nuno, já parte integrante da família de Barcelona. A seguir, Coconuts, uma quase estreia para mim também, mas muito animada e cheia de iniciativa, e a noite acabou com uma viagem-aventura a levar a Ana a casa.
Último dia: de volta á Baixa, já com a companhia do artista Francisco. Parada no Adamastor. Já lá não ia há anos. Jantar no Bairro Alto, obrigatório, numa tasca portuguesa com certeza, pão e vinho sobre a mesa. E na despedida, até o Enrico chorou.
Menina, Lisboa. A minha menina, a menina dos meus olhos. Lisboa, deixou-me orgulhosa saber que te adoraram, que os encantaste, ouvi-los dizer que és das cidades mais bonitas que já viram, que és especial, que és única. Mas isso eu já sabia. Sou alfacinha-de-gema.
Menina, eu. O entusiasmo de estar com algumas das pessoas com quem alguma vez me senti melhor, mais tranquila, mais autêntica, como uma menina sem preocupações. Éramos desconhecidos, espalhados pelo mundo, com experiências diferentes, com backgrounds diferentes, e sem sabermos nada uns dos outros tornamo-nos indispensáveis. Mesmo por não sabermos nada uns dos outros não tínhamos por onde nos julgar. Só sabíamos que nos dávamos todos bem e que estávamos todos bem ali, em Barcelona.
Passei a semana com a certeza constante de que conheci as melhores pessoas com quem partilhar o meu e nosso Erasmus. Obrigada. Aos de lá e aos de cá..
Gosto muito de vocês!
Vos quiero muchisimo!

terça-feira, 3 de abril de 2007

Num Domingo (ou noutro dia qualquer....)

Um momento de proximidade.
Sinto o coração a bater acelerado e um nervoso miudinho que me apanha desprevenida e me impede de tirar os olhos do chão.
A rua está calada. A esta hora da manhã de Domingo, o pouco movimento não tem qualquer semelhança com as buzinas e alarmes dos carros, os gritos dos arrumadores, o zuuum dos carros que passam a grande velocidade, constantes por aqui.
Sinto o fresco da manhã e sinto-me preenchida, como se este sítio tão familiar se apresentasse com novas cores, novos cheiros.
A tua presença é tao confortável...
Falámos pouco e desajeitadamente. Ficou tanto por dizer.
Despedimo-nos com um abraço, tão próximo, tão sincero.
E foste embora.

sábado, 17 de março de 2007

Ao primeiro dia de praia do ano (que esteve óptimo!!!), ás bochechas coradinhas, á marca do bikini, aos mergulhos no mar, ás boas companhias, ás novas amizades, ás velhas amizades, ás gargalhadas, ao pensamento positivo, aos deslumbramentos, aos momentos, ás músicas que nos fazem saltar e dançar, ás saudades de Barcelona, ás visitas que aí vêm, ás verdades, ás ilusões, ás lembranças, ás boas lembranças, ás mudanças e ás constâncias.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Aaah, Lisboa!!

Voltei. (Já não é o primeiro que começa assim)
Posso já cá estar há quase um mês, mas só hoje é que voltei, só hoje é que me voltei a sentir lisboeta. Porque hoje é verão. O verão é um estado de espírito e hoje, para mim, é verão. É a magia de Lisboa. Os senhores meteorologistas podem dizer que estão 18º, posso estar de camisola de lã vestida, mas hoje é verão. Hoje, o céu está azul, sem a interrupção das nuvens, hoje o Cristo-Rei via-se claramente da paragem do autocarro, hoje o rio espelhado reflectia o sol (posso ter muitas queixas da minha universidade, mas localização não é uma delas!!), hoje a Praça do Comércio está cheia de pessoas sentadas e até deitadas no chão com as calças arregaçadas até ao joelho, hoje as esplanadas estão montadas e cheias de "girassóis", hoje as pessoas andam mais felizes e descascadas.
O lisboeta não gosta de vestir cinzento e lã. O lisboeta gosta de vestir laranja, verde, amarelo, azul-turquesa. O lisboeta gosta de andar de manga cava e pneu michelin de fora, a aparecer a ponta do novo piercing no umbigo feito em Nova Iorque (bora, Mary????). E, quando chegam estes dias de sol, ainda que em Março, o lisboeta aproveita.
Por isso, com licença, que eu vou beber um sumo de laranja natural e ouvir música de verão no Ipod, enquanto me bronzeio numa esplanada qualquer.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Terceiro Destino: NOVA IORQUE!!






Passavam horas a andar a pé em Nova Iorque: como se seguissem por um caminho sinuoso numa paisagem montanhosa e fascinante, o espectáculo alterava-se a cada passo: no meio do passeio, havia um rapaz ajoelhado a rezar; a dois passos dele, encostada a uma árvore, uma negra belíssima passava pelo sono; um homem de fato preto atravessava a rua a gesticular como se dirigisse uma orquestra invisível; a água caía nas bacias de um fontanário; mesmo ao lado, estavam uns operários sentados a almoçar. Escadarias metálicas trepavam pelas fachadas das casas de tijolo encarnado, casas que, de tão feias, até chegavam a parecer bonitas; mesmo ao lado, erguia-se um gigantesco arranha-céus de vidro por detrás do qual havia outro arranha-céus que culminava num palaciozinho árabe com torres, galerias e colunas douradas.



Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.




A foto não é nada representativa da cidade, mas é das melhores em grupo, e os momentos dependem sempre da companhia. Nova Iorque.. um jardim de arranha-céus. Por muitas imagens que se vejam ou muitas descrições que se oiçam, a cidade acaba sempre por nos deslumbrar. É única, com os seus prédios sem fim, com as limusines que estão sempre a passar, com os milhares de taxis, com as pessoas apressadas, com os carrinhos de hot-dogs e de Nuts4Nuts, com o ruído dos carros de bombeiros e ambulâncias que passam constantemente, com as igrejas góticas no meio do mundo de cimento... A melhor palavra para descrever Nova Iorque é "variedade". Variedade de pessoas, variedade de situações, variedade de estilos. A sua heterogeneidade é o que a torna única, a mistura entre o novo e o velho, entre o pequeno e o enorme, entre a luz e o escuro. Adorei.
As temperaturas negativas gelavam-nos a ponta do nariz enquanto calcorreávamos Manhattan de cima a baixo, percorrendo a 5th Avenue ou a Broadway, ou outra avenida gigante e linda. Subimos ao Empire State Building, fomos patinar no Central Park, comemos uma pizza em Little Italy, bebemos chocolate quente no Starbucks, comemos Wendy's, Taco Bell, cachorros quentes na rua e McDonald's, encomendámos chinês para comer em casa das caixinhas (sim, as refeições eram sempre momentos importantes), passeámos por Times Square á noite, iluminadas pelas centenas de anúncios, fizemos muitas compras, fizemos tudo o que queriamos fazer! E rimos muito.
Agora resta-me pensar no próximo destino.



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Lisbon revisited (2007)

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

Álvaro de Campos


Ás vezes as palavras que sentimos já foram ditas por alguém.
Voltei a casa, voltei á minha vida. Mas sinto-me em fragmentos. Não sei que partes de mim voltaram, que partes de mim ficaram, que partes de mim ficaram perdidas para sempre. Tento reencontrar-me pelas ruas de Lisboa, mas já não a sinto minha, assim como já não me sinto eu. Cada momento é passado em reconstrução, tentando unir pedaços de mim que agora tenho disponiveis, mas desconheço-me. Em cinco meses criei outra vida, que sinto mais minha que esta. Ou talvez só tenha que aprender a unir-las.

domingo, 11 de fevereiro de 2007











Obrigada.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Uma semana..

Hoje é a minha última Quarta-feira em Barcelona. Daqui a uma semana, por esta hora, estou de volta a Lisboa, com tudo o que isso significa. Por vezes quase que prefiro ficar fechada em casa e não estar com ninguém, porque quando estou não consigo deixar de pensar em como vou perder tantos momentos, em como me sinto bem aqui.
Quarta-feira. Pode parecer um dia normal, e nem é dos preferidos da maioria das pessoas, mas aqui, muitas semanas, marcava o início do meu fim-de-semana: Festas Erasmus, no Baja Beach Club; jantares coreanos; Shôko; Teatro; jantares em Collblanc.

Para não quebrar a tradição: hoje, Shôko!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Escrevo o mundo no meu corpo


Exigências dos meus pais para Erasmus:

  • não te drogues
  • não bebas muito
  • não faças asneiras
  • não faças piercings
  • Não faças tatuagens.....

Ups.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Em Barcelona, gosto...

  • dos meus amigos,
  • da vista do meu 18º andar,
  • de me sentir em casa,
  • de ir a pé até à Sagrada Família, passando pela Avinguda Gaudi e seguir pela Carrer Provença até ao Passeig de Gracia,
  • de passear perto do meu piso até á Carrer Verdi,
  • de passear,
  • dos jantares em Collblanc,
  • das festas em Collblanc,
  • dos dias de sol (quase todos),
  • de me sentar na varanda a apanhar sol,
  • do caminho do Metro até casa, de madrugada, a ouvir música e a cantar e dançar para aquecer do frio,
  • de passar por um BUS turístico e pensar que já penso nesta cidade como uma turista,
  • dos convites inesperados,
  • que seja tao sincera,
  • de cozinhar pesto uma vez por semana,
  • da "Boulevard" Passeig de Gracia,
  • da minha casa, do meu quarto, da minha casa-de-banho,
  • das bebedeiras,
  • dos jantares fora, quase sempre sushi,
  • dos programas diferentes, como ir a um concerto ou ao teatro,
  • das viagens de Domingo,
  • das pessoas ficarem amigas num dia, numa hora,
  • de conhecer pessoas de cada canto do mundo,
  • de tudo o que aprendi, sendo a minoria conhecimento académico,
  • de ir para casa de NitBUS e ver o sossego nocturno da cidade,
  • das viagens que fiz no comboio para o aeroporto,
  • de querer ficar para sempre,
  • das gargalhadas, sempre sinceras,
  • dos olhares cúmplices,
  • de ouvir o vento deitada na minha cama,
  • de me saber tao diferente da pessoa que era quando vim,
  • de aprender pratos novos, a maioria pasta,
  • de tantas vezes ser só eu e italianos e eles falarem castelhano,
  • de nao me sentir uma estudante Erasmus porque tudo isto me parece natural,
  • da fascina. Ou do final dela,
  • que seja tao variada,
  • de saber que Domingo vou acordar com o barulho da claque do Club Esportiu Europa,
  • das noites passadas com amigos "perdidos pelas Ramblas",
  • de quase tudo,
  • que haja uma música sobre ela, com a qual me identifico tanto,
  • de morar perto do centro,
  • de me lembrar sempre de mais qualquer coisa que gosto,
  • de ver a torre Agbar a mudar as cores,
  • dos meus amigos,
  • do meu chá verde diário, normalmente acompanhado por um bocado de chocolate,
  • das noites de chicas,
  • de estar aqui.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Erasmus


"Risas y llantos, nervios, nuevas responsabilidades, nuevos amigos, nuevo idioma... Así es el Erasmus."


Fosse só isso e não seria tão difícil pensar que daqui a três semanas volto a Lisboa, terminando os risos e lágrimas, nervos, novas responsabilidades, novos amigos, novo idioma, Erasmus.
Hoje, mais do que em muito tempo, custa-me pensar nisso. Hoje, que nem esteve um dia de sol daqueles que me fazem querer ficar para sempre, que acordei as 6:30h para ter um exame de uma cadeira que até nem me interessa muito, que estive três horas e meia a fazer tempo na universidade para falar com um professor, enfim, que não foi um daqueles dias que só podem acontecer aqui, quero ficar.
Desde que voltei de Portugal que me tenho vindo a acostumar á ideia de que o meu tempo aqui está a acabar. E isso não me tem perturbado porque sinto muitas diferenças de quando cheguei pronta para esta aventura, e sei que no próximo semestre muito mais diferenças ia notar, porque quase todos voltam a casa. Ainda bem que sou das primeiras a ir e não tenho que ir ficando para trás a ver a cidade a ficar vazia. Vou poder sempre recordar os nossos primeiros meses aqui, quando tudo era novidade, tudo era para sempre, tudo era festa.
Só que hoje, a recordação não me chega.



domingo, 21 de janeiro de 2007

Porque faz parte de mim, ou Psicologia

A Psicologia é a ciência que estuda a mente, sejam os seus processos internos - pensamentos, sentimentos, emoções, inconsciente - ou os seus processos externos - comportamento, atitudes, conduta. A Ciência é o conhecimento o que engloba verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico. Assim a Psicologia foi considerada ciência quando, em 1879, Wundt criou o primeiro laboratório de estudos humanos e pôde aplicar o método científico - conjunto de regras básicas para um cientista desenvolver uma experiência a fim de produzir conhecimento - a este estudo.
A primeira força da Psicologia surge no início de séc XX pelas mãos de Watson, e dá pelo nome de Behaviorismo. Associados a esta corrente surgem nomes como Ivan Pavlov(e os seus cachorros), em cujas experiências se baseia o Comportamentalismo, Burrhus Skinner, que criou a Skinner-box, e Albert Bandura. O behaviorismo afirma que a simples observação do comportamento é a melhor forma de investigar os processos mentais, pretendendo prever e controlar o comportamento. Não inclui a pessoa enquanto ser com vontade no processo, e reduz-nos ás respostas que damos a determinado estimulo.
A segunda potência da Psicologia é a Psicanálise, criada por Freud, e desenvolvida por Anna Freud, Melanie Klein, Carl Jung, entre outros. Esta corrente tenta encontrar relação entre o material inconsciente e os processos mentais do paciente. O sujeito é convidado a dizer tudo o que lhe venha á cabeça, sem bloqueios, e o terapeuta, através da livre associação e da análise de transferência, interpreta o que o paciente diz. Como inovações da Psicanálise destacam-se o conceito de inconsciente (que já existia mas que adquiriu uma nova forma), de pulsões inconscientes, determinantes e explicativos da nossa conduta, e repressão, processo através do qual se negam esses desejos inconscientes. Embora já haja um contacto directo com a pessoa, esta é reduzida aos seus impulsos inconscientes, sobre os quais não tem controlo.
No final da década de 50 do século passado Maslow, Rogers e outros reunem-se para discutir a necessidade de uma psicologia mais humanista, que encare o homem como um todo, como um ser com vontade e liberdade. Surge a Psicologia Humanista, terceira força da Psicologia, que se vem opôr ao reducionismo do Behaviorismo e da Psicanálise. Tem bases no pensamento Existencialista, que tenta compreender o fundamental da condição humana, na Fenomenologia, que não separa os fenómenos internos da pessoa, na psicologia da Gestalt, que tem uma visão holista do homem e no Pragmatismo, que acredita que o homem tem poder de acção e de alterar os limites da sua condição humana. A Psicologia Humanista tem uma visão construtivista e positiva do ser humano e da sua capacidade para criar a sua vida. Valoriza as qualidades humanas como a escolha, a criatividade, a criação, a liberdade. Existem vários autores e modelos psicoterapêuticos que defendem os postulados da Psicologia Humanista. Destacam-se Carl Rogers, um dos principais criadores, e Viktor Frankl, um sobrevivente do Holocausto. Carl Rogers acreditava na força e bondade de cada pessoa, e que as pessoas têm as respostas para os seus problemas, desenvolvendo a Aproximação Centrada na Pessoa. Rogers vê o paciente como um ser único que procura a auto-realização. Viktor Frankl propôs a Logoterapia, que pretende ajudar a pessoa a encontrar o seu sentido de vida. Vê o homem como um ser livre, responsável, com uma existência espiritual e com valores. O mais profundo dinamismo do ser humano é o desejo de um sentido, que é construído por si mesmo.O homem da Psicologia Humanista é livre, é um sistema aberto em constante construção, com uma liberdade de escolha que lhe permite construir o seu modelo de vida, é um ser com criatividade e com poder de criação, que procura e influi o seu sentido de vida.
Eu gosto deste homem. Só tive contacto com a Psicologia Humanista este ano. Neste momento é a teoria com a qual me identifico mais. Tenho exame disto, amanhã. Acho que estou preparada.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Segundo destino: Valência



Sexta-feira, 12 de Janeiro 2007

5h(!!!): Despertador
Dormi duas horas. Ás 5:30h estava a apanhar um taxi com a Stefania para irmos para o aeroporto, onde nos íamos encontrar com a Ale, o Nuno e o Enrico, e muito rapidamente fazer o check-in porque o voo era as 7h. Era noite cerrada.

7h: Descolagem
Depois de um check-in de "Último minuto" e de uma "última chamada para os passageiros (...)" conseguimos apanhar o avião que ia quase vazio. Uma hora depois aterrávamos em Valência, sem dar tempo nem para ver todo o episódio de Friends que passava no avião.

10h: Desayuno
Conseguimos o quarto misto para seis pessoas como queriamos, na pousada que queriamos. Só podíamos entrar ás 13h, então deixámos as malas e fomos conhecer a cidade. Tomámos um pequeno-almoço óptimo á base de chocolate quente (que aqui é mais espesso que mousse de chocolate) num café muito pequeno na Carrer de la Pau, a rua da nossa pousada. Daí partimos para o centro histórico, passando pela Plaza de la Reina, onde está a Catedral, a Plaza de la Virgen, que tem uma fonte linda, seguimos pela margem do rio seco Turia, que foi transformado num parque, até ás Torres de Serranos, que nos levaram ao Bairro de Carmen.

13h: Almoço
No McDonald's, "imposto" pelo Enrico mas apoiado pela maioria (ou pelo menos, por mim). O sol que fazia convidava a sentar-nos na esplanada da Plaza de la Reina, em frente á Catedral. Ali ficámos duas horas a conversar e a gozar o dia de "primavera". Depois, lutando contra o sono, fomos conhecer o Palacio del Marqués de Dos Aguas e o Museo de Bellas Artes, passando por uma rua cheia de lojas, onde as chicas tentaram hacer un poquito de compras.

18h: Siesta (!!!!)
Finalmente não aguentámos mais e aproveitámos a escuridão do final do dia e o convencer-nos que o pequeno centro histórico da cidade já estava conhecido como desculpa para dormir um bocadinho até ao jantar, no nosso Quarto Verde.

21h: Noche
Acordados mais fresquinhos da siesta, preparámo-nos para a noite, que prometia. A vontade era comer paella, mas os preços dos restaurantes que encontrámos nao permitiram, acabámos por comer num típico restaurante espanhol, com uma sala tão pequena que mais parecia que estávamos na casa de alguém. Nas paredes, imagens de touradas. Comemos super bem: pão, salada, entrada e uma carne estufada acompanhada com batatas fritas. E claro, vinho. Satisfeitos, fomos para o bairro de Carmen, onde estava a animação. Começámos por um bar cubano: o Johnny Maracas. Foi o início perfeito. Depois, sem saber bem para onde ir, mas com vontade de provar a Água de Valencia, entrámos num bar/discoteca chamado Radio City. A vontade de aproveitar a noite era grande, mas estávamos todos cansados, por isso as 3h estávamos na cama.


Sábado, 13 de Janeiro 2007

11h: Desayuno
Desta vez num sítio diferente: na Plaza de la Reina, um café especialista em chocolate, fosse chocolate quente, bombons, bolos... Depois, pusemo-nos a caminho do lado novo da cidade. Atravessámos a Puente de la Exposición e baixámos para os Jardins del Turia, até encontrarmos o Palácio da Música, que infelizmente estava fechado. Mas á frente deste está um pequeno lago, e, claro, está sempre a tocar música. Um sítio espectacular, onde se está lindamente. Continuando pelo parque fomos dar ao Gulliver. Sim, ao Gulliver. É um Gulliver gigante deitado na areia, como preso pelos Liliputianos, e os seus cabelos e roupa sao pequenos (ou grandes!!) escorregas. Então as "crianças" andam ali a divertir-se, como pequenos liliputianos. Logo adiante fica a Cidade das Artes e das Ciências de Valência, um conjunto de cinco edificios do Calatrava, cada um deles representando, á sua maneira, um animal.

14h: Cidade das Artes e das Ciências de Valência
A ideia era ver o máximo possivel mas é preciso mais de um dia para ver tudo. Decidimos visitar só o Oceanografico que demora á volta de cinco horas para ser bem visto. Mas vale a pena!! É lindo. É enorme, está dividido por zonas diferentes, cada uma mais bonita que a outra: o Mar Mediterrâneo, que já me é familiar, os Humedales, um esfera gigante que simboliza a transição entre os ecossitemas terrestre e marino, os climas Temperados e Tropicais, onde há um tunel submarino de 70 metros de cumprimento, o mais largo da Europa, os Oceanos, onde se podem ver tubarões, o Ártico, o Antártico, as Islas, onde os leões marinhos arrotantes dão um espectáculo para todos os visitantes, e o Mar Vermelho.

20:30h: Paella!
No final daquela andança toda só queriamos sentar-nos a comer uma boa paella, apanhámos um taxi e fomos para a zona da praia. Marcámos mesa no restaurante La Pepica e fomos fazer tempo para perto da praia até á hora em que o restaurante abria, olhando para o relógio a cada 5 min porque a fome apertava. Á hora marcada, lá estávamos. Sentámo-nos e abrimos a ementa, prontos a escolher a paella que queriamos. Três queriam uma, e dois queriam outra, e como as doses exigiam um minimo de duas pessoas por paella estava perfeito. Mas quando pedimos, fomos informados que não podia ser. Cada mesa só tinha direito a escolher um tipo de paella, porque naquele dia só estavam com quatro cozinheiros. Claro que o riso e a indignação foi geral, e depois de muita argumentação, o senhor lá foi perguntar aos cozinheiros se davam autorização a que fosse assim. No final, cada um comeu o que quis, e as paellas estavam óptimas!

00h: Água de Valencia
Tinhamos que experimentar! É feita com sumo natural de laranja, cava e vodka. Na Plaza de la Reina entrámos na tasca mais rasca da cidade, onde passeavam cucarachas pela parede. Mas acabou por ser divertidissimo. A água de valencia é óptima!! Ficámos todos super borrachos e íamos sendo expulsos do hostel, mas foi a noite perfeita para despedida.


Domingo, 14 de Janeiro 2007
11:30h: Check-out
Já sem nada para conhecer, separámo-nos em dois grupos: a Ale e o Nuno foram para a zona do porto comprar um regalo de cumple para o pai da Ale, e eu, a Ste e o Enrico ficámos perto do hostel. Só nos voltamos a encontrar no aeroporto, onde as 15h apanhámos o avião de volta para Barcelona, o nosso ponto de encontro.



Foi um óptimo fim-de-semana!!! A repetir.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Primeiro destino: Barcelona


Voltei.
Hoje já acordei em Barcelona, para a minha vista sobre a cidade, para me voltar a apaixonar, para perceber porque senti tanta falta de estar aqui. Desta vez não havia ninguém a despedir-se de mim no aeroporto, não havia ninguém a fazer o check-in comigo, não havia ninguém a fazer o embarque comigo, não havia uma cara familiar no avião onde vim. Desta vez não havia ninguém á minha espera no aeroporto, e muito menos dois braços estendidos á espera de me receber em casa. Mas não foi triste. Foi um regresso a casa de umas férias bem passadas, em que temos pena de deixar o sítio onde estamos mas já sentimos falta do que deixámos e cada passo nos parece natural, familiar. Desta vez não havia duas malas gigantes cheias de coisas, cheias com a minha vida, mais o computador num braço, o saco cama no outro, e mais uma mala pequena na mão. Só havia uma mala vazia pois já não tenho nada para trazer, já cá está tudo. A minha vida está aqui; ainda que temporariamente.
Não deixa de ser curioso pensar que fui de férias á cidade onde nasci e onde vivi (quase) toda a minha vida, fui de férias para a minha própria casa, para o meu próprio quarto. E agora que as férias acabaram apercebo-me que é mais fácil estar aqui, talvez precisamente por ser temporário e por me poder afastar das exigências da vida real. Por alguns meses posso desligar-me dos problemas e dúvidas que me esperam em Lisboa e viver entusiasticamente esta vida que me foi emprestada por uma tal "estudante de Erasmus" com a qual nunca me identifiquei muito bem. Nestes meses os meus problemas são outros, mas por serem temporários não lhes dou importância, logo, nestes meses não tenho problemas.
Não há maior viagem do que aquela que Erasmus nos faz fazer dentro de nós.

Razões


Um recente bom amigo disse-me uma vez que eu devia arranjar um hobby. Eu pensei um bocado naquilo e como até já queria criar um blog há algum tempo achei que não havia melhor altura que esta, em que estou a fazer Erasmus em Barcelona, tenho muito para partilhar. Assim, agradeço ao artista Francisco o empurrãozinho que me faltava na coragem.

Sempre adorei escrever.
Quando era pequena escrevia sobre as aventuras de dois irmãos gémeos, escrevia poemas, escrevia cartas, escrevia composições, escrevia um diário. Depois cresci. Passei a ter que gerir o meu tempo e a ter que encaixar a escrita entre escola, estudo, tempo com os amigos, e aos poucos foi perdendo a importância que tinha. Nunca deixei de escrever, mas não o fazia com a mesma regularidade e naturalidade que antes. Antes, quando olhar para uma folha de papel em branco não era um desafio receado, quando não tinha que me preocupar com a "inspiração", porque se não vinha num dia, vinha no outro.
Pode ser que com um blog recupere essa naturalidade e me sente mais amiúde a fazer aquilo que mais gosto: Escrever.