Bitter-sweet emotions de um regresso a uma casa vazia, que guarda tantas boas recordações mas que sinto como fria. A mesma luz da última vez que andei neste comboio, um caminho que percorri tantas vezes, sozinha, acompanhada, agora vejo-o tão diferente, como se já não fosse o mesmo, aquele que conto ter feito pelo menos 14 vezes, levando ou apanhando visitas tão especiais.
Depois de largar as malas em casa do Javi, o 1º destino é Parc Guell, mas um Parc Guell que eu nunca tinha conhecido, por caminhos no meio do mato, longe dos turistas. Daí voltamos para casa, onde a Ana e o Fábio já nos esperavam. Já não têm conta as vezes que estive com o Javier, a Ana ou o Fábio em Barcelona, mas esta não se assemelhou com nenhuma. Eles são os resistentes, os que ficaram a guardar a casa, a esperar-nos de braços abertos. Não é Erasmus, agora sou uma visita.

De volta a Barcelona, o mesmo aperto, a mesma busca do sentido de estar de volta aqui. Mas nada que um jogo do "Eu nunca" com o Javier e a Teresa não resolva. Á porta de casa, um sofá abandonado que levamos para perto da paragem e no qual nos sentamos como VIP's á espera do autocarro que, claro, perdemos porque estávamos entretidos a sacar fotos. Apanhamos um taxi, juntamente com um alemão que também esperava o NitBus e que teve a viagem de taxi da vida dele! Li pânico nos seus olhos enquanto perguntava ao taxista quanto tempo faltava até à Plaça Catalunya. Encontramo-nos com o Fábio e a Ana á porta do Hard Rock e estamos prontos para sair, como saimos sempre em Barcelona: caminhar pelas Ramblas sem destino. "Pasa nada!"
No dia seguinte almoçamos com a Ana e o Javier, seguimos para as Ramblas já sem a Ana e daí para casa. Dança-se como loucas, canta-se, salta-se, joga-se futebol, tiram-se fotografias, fazem-se os filmes mais crazy, somos crianças. Sem preocupações. Saímos. Nas Ramblas, já com o Fábio, encontramos uma cadeira de rodas partida para a qual eu e o Javier prontamente subimos, cada um sentado num braço, até sermos perseguidos pela polícia. Despedimo-nos do Fábio, apanhamos o NitBus para casa...no sentido errado. Meia-hora depois apercebemo-nos disso, saímos do autocarro prontos para andar até casa. Na rua encontramos um carrinho de bebé estragado. Eu e a Teresa, empurradas á vez pelo Javi, fomos descendo uma rua enorme e inclinada, largando o carrinho ainda em pior estado. É incrível o que se encontra pelas ruas de Barcelona...até folhas de cortiça, que o Javier procurava há duas semanas em cada loja, ali estavam, deixadas nos chão, á nossa espera.
Barcelona continua a ser uma caixinha de surpresas, continua a surpreender-me. Reapaixonei-me por esta cidade que sempre me faz conhecer um bocadinho mais de mim, onde sempre faço coisas novas, onde exploro os meus limites. E que não seria nada sem as pessoas que a fazem de cada vez, que são quem cria os meus momentos..
Até breve, Barcelona.