
Passavam horas a andar a pé em Nova Iorque: como se seguissem por um caminho sinuoso numa paisagem montanhosa e fascinante, o espectáculo alterava-se a cada passo: no meio do passeio, havia um rapaz ajoelhado a rezar; a dois passos dele, encostada a uma árvore, uma negra belíssima passava pelo sono; um homem de fato preto atravessava a rua a gesticular como se dirigisse uma orquestra invisível; a água caía nas bacias de um fontanário; mesmo ao lado, estavam uns operários sentados a almoçar. Escadarias metálicas trepavam pelas fachadas das casas de tijolo encarnado, casas que, de tão feias, até chegavam a parecer bonitas; mesmo ao lado, erguia-se um gigantesco arranha-céus de vidro por detrás do qual havia outro arranha-céus que culminava num palaciozinho árabe com torres, galerias e colunas douradas.
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.
A foto não é nada representativa da cidade, mas é das melhores em grupo, e os momentos dependem sempre da companhia. Nova Iorque.. um jardim de arranha-céus. Por muitas imagens que se vejam ou muitas descrições que se oiçam, a cidade acaba sempre por nos deslumbrar. É única, com os seus prédios sem fim, com as limusines que estão sempre a passar, com os milhares de taxis, com as pessoas apressadas, com os carrinhos de hot-dogs e de Nuts4Nuts, com o ruído dos carros de bombeiros e ambulâncias que passam constantemente, com as igrejas góticas no meio do mundo de cimento... A melhor palavra para descrever Nova Iorque é "variedade". Variedade de pessoas, variedade de situações, variedade de estilos. A sua heterogeneidade é o que a torna única, a mistura entre o novo e o velho, entre o pequeno e o enorme, entre a luz e o escuro. Adorei.
As temperaturas negativas gelavam-nos a ponta do nariz enquanto calcorreávamos Manhattan de cima a baixo, percorrendo a 5th Avenue ou a Broadway, ou outra avenida gigante e linda. Subimos ao Empire State Building, fomos patinar no Central Park, comemos uma pizza em Little Italy, bebemos chocolate quente no Starbucks, comemos Wendy's, Taco Bell, cachorros quentes na rua e McDonald's, encomendámos chinês para comer em casa das caixinhas (sim, as refeições eram sempre momentos importantes), passeámos por Times Square á noite, iluminadas pelas centenas de anúncios, fizemos muitas compras, fizemos tudo o que queriamos fazer! E rimos muito.
Agora resta-me pensar no próximo destino.